Quanto mais nostalgia, melhor! É o que dizem dois estudos realizados por universidades internacionais

Em estudo publicado recentemente na revista científica The Journal of Neuroscience, pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências mostraram que é possível reduzir a sensação de dor buscando na memória lembranças da infância.

Os pesquisadores mediram a atividade cerebral de adultos, por meio de exames de ressonância magnética funcional, enquanto apresentavam dois tipos de imagem a essas pessoas. Nesse momento, detectaram alterações associadas a variações no fluxo sanguíneo dos envolvidos.

Dois grupos de imagem foram mostradas, um contendo cenas e objetos que remetiam à infância como: programas de TV, guloseimas e brincadeiras. E ao outro grupo foram mostradas cenas da vida cotidiana.

Enquanto as imagens eram apresentadas, as pessoas recebiam, simultaneamente, estímulos térmicos na pele, causando algum grau de desconforto. Nesse momento, os indivíduos tiveram que medir o nível da nostalgia despertada ao mesmo tempo em que avaliavam a intensidade do estímulo térmico.

O resultado concluiu que àquelas pessoas que foram expostas às imagens nostálgicas tiveram redução do incomodo do estímulo térmico, diminuindo assim a sensação de dor.

Outro estudo similar foi realizado pela Universidade Sauthampton, na Inglaterra, e pela Universidade Zhejiang, na China. Foram analisados 3,7 mil participantes, no período da pandemia, e mostrou um aumento no grau de felicidade quando as pessoas são expostas às imagens da infância.

Primeiramente as pessoas envolvidas identificavam seus níveis de nostalgia, solidão e felicidade. E a partir das respostas foi possível concluir que àquelas que tiveram lembranças de seu passado, nos momentos em que se sentiam mais solitários, conseguiam aumentar significativamente seus graus de felicidade.

Para confirmar tais resultados, outros três estudos complementares foram realizados. Num deles as pessoas foram divididas em dois grupos, um foi orientado a pensar em um evento do passado e escrever sobre ele, e o outro a pensar e escrever sobre um evento atual.

O primeiro grupo, que recorreu às lembranças do passado, teve um aumento significativo da felicidade em comparação ao outro grupo. A sensação positiva foi observada imediatamente e perdurou, em alguns casos, por até dois dias após o experimento.

A etimologia da palavra nostalgia ajuda a compreender o sentido emocional desses estudos. As palavras gregas “nostos” (casa) unida a palavra “algos” (dor) faz compreender que apesar das facilidades proporcionadas pelas tecnologias, a saudade de outros tempos pode ser intensa e provocar essas sensações.

Fontes: Estadão/ G1

*Texto: Luciana Hage

Milena Alves

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