Bem-estar

Ceratocone, a doença grave que pode levar a cegueira.

O ceratocone ou queratocone é uma doença ocular hereditária, não inflamatória e degenerativa que também é conhecida como distrofia contínua e progressiva. Apesar do seu fator genético, essa enfermidade também pode estar associada às síndromes de Down, Turner, Ehlers-Danlos e Marfan. As alterações na estrutura da córnea tornam-na mais fina, modificando a sua curvatura dando-lhe, assim, uma forma mais cónica (ectasia) que o normal, induzindo a miopia e astigmatismo miópico.

É considerada uma doença grave na medida em que evolui para perdas significativas de acuidade visual. Nos estágios mais avançados, o doente pode evoluir para a cegueira. As causas não estão, ainda, completamente esclarecidas, mas sabe-se que o “esfregar ou coçar os olhos” pode ajudar na evolução do ceratocone. “Um dos principais fatores de risco é o hábito de coçar e esfregar os olhos, pois a córnea, parte transparente e anterior do olho, vai ficando afinada, irregular e protrusa, semelhante a um cone”, detalha a oftalmologista Olga Ten Caten.

Os sintomas de ceratocone mais comuns são a perceção de múltiplas imagens fantasmas (poliopia monocular). Estes sintomas são mais evidentes em campos de visão com altos contrastes. O doente com ceratocone vê muitos pontos espalhadas num padrão muito irregular. Este padrão geralmente não se altera, mas pode ganhar novas formas com o decorrer do tempo. Em alguns casos pode apresentar diplopia monocular (presença de imagem dupla ao invés de múltipla). O ceratocone causa dor de cabeça de forma frequente, devido ao esforço ocular que o doente tem de fazer para ver.

Habitualmente, o ceratocone causa alterações substanciais da visão como: hipovisão (baixa visão), diplopia (perceção de duas imagens) ou poliopia (imagens múltiplas) e sensibilidade exagerada à luz (fotofobia). Geralmente, os sintomas agravam-se com o evoluir da doença.

O diagnóstico é feito por meio de exames, sendo o mais utilizado, topografia corneana. O ceratocone não tem cura, contudo se tratado de forma adequada pode restabelecer aos doentes uma boa acuidade visual compatível com as necessidades das tarefas diárias. Nesse sentido são indicadas cirurgias, dependendo do avanço da doença, uso de óculos, lentes de contato e implante de anéis ópticos.

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