Fotomontagem | Notícias no Ar
O Ministério da Saúde começou a ofertar, a partir desta semana, nove novos medicamentos para o tratamento do câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). Os produtos utilizam tecnologias avançadas e podem contribuir para aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida de pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão, estômago, rim, tireoide e linfomas, entre outros.
A expectativa é disponibilizar 23 novos fármacos oncológicos até o fim do ano, ampliando em 35% as alternativas de tratamento na rede pública de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, esta é a maior inclusão de tecnologias para o cuidado do câncer já realizada no SUS e atenderá 100% da demanda por esses produtos.
Muitos desses medicamentos eram aguardados há mais de dez anos. Embora já estivessem incorporados ao SUS, ainda não chegavam efetivamente aos serviços de saúde. A mudança ocorreu com o Agora Tem Especialistas, iniciativa lançada em 2025 pelo Ministério da Saúde para consolidar a maior rede pública de cuidado do câncer, reduzir o tempo de espera por diagnóstico e agilizar o início do tratamento.
Para ampliar a oferta de medicamentos, o Ministério instituiu a Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), que definiu como cada tecnologia seria disponibilizada à população.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a iniciativa amplia e qualifica a rede de atendimento ao câncer em todo o país, com acesso a tecnologias modernas, exames, diagnósticos precisos e tratamentos adequados no momento certo. Ele também destacou o fortalecimento das condições de trabalho dos profissionais de saúde, a estruturação dos serviços e a preparação da rede pública para atender às necessidades da população.
Para viabilizar a oferta dos 23 novos medicamentos, o Ministério da Saúde assumiu a compra e a negociação direta de dez fármacos, articulou uma ata de preços para que os estados adquiram outros nove pelo menor valor e ampliou os repasses destinados ao custeio dos serviços oncológicos do SUS para os quatro restantes. O investimento total terá impacto de R$ 4 bilhões por ano.
Os nove novos medicamentos atendem a 13 indicações diferentes para o tratamento do câncer, com previsão de beneficiar mais de 116 mil pessoas. A disponibilização começa em 20 centros de tratamento distribuídos por todas as regiões do Brasil, com expectativa de expansão para os demais serviços até o fim do ano. O investimento anual na aquisição desses produtos será de R$ 155,4 milhões.
A lista inclui medicamentos de alto custo, como o abemaciclibe, fármaco indicado para alguns tipos de câncer de mama, que pode custar R$ 366 mil na rede privada. Com a oferta no SUS, o acesso será ampliado para todos os pacientes que precisam desse tratamento. Segundo o Ministério da Saúde, outro medicamento que passa a ser ofertado para uma nova indicação na rede pública é o pazopanibe, opção para pacientes com câncer renal metastático. Já o trastuzumabe, utilizado no SUS para o tratamento do câncer de mama, tem seu uso ampliado para pacientes com câncer de estômago.
Os nove tratamentos atuam de formas diferentes, conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e o perfil de cada paciente. Entre os principais benefícios esperados estão o aumento da sobrevida e a melhoria da qualidade de vida. Alguns medicamentos também são indicados após a cirurgia, quando não há sinais visíveis do tumor, para reduzir o risco de a doença voltar.
O trastuzumabe é indicado para o tratamento do câncer de estômago ou da junção esofagogástrica. O abemaciclibe é utilizado em casos de câncer de mama em estágio inicial, com receptores hormonais positivos (RH+), HER2 negativo e comprometimento dos linfonodos, ou em estágio avançado/metastático. Já o acetato de lanreotida é indicado para tumores neuroendócrinos.
O pazopanibe é destinado ao tratamento do câncer renal de células claras com metástases. O rituximabe contempla a leucemia linfocítica crônica, em primeira linha de tratamento, o linfoma folicular e o linfoma difuso. A abiraterona é indicada para o câncer de próstata resistente à hormonioterapia, com ou sem metástases, e para o câncer de próstata metastático sensível à hormonioterapia.
O gefitinibe é utilizado no tratamento de primeira linha do câncer de pulmão de células não pequenas. O TSH recombinante (alfatirotropina) é indicado para casos de câncer diferenciado de tireoide com indicação de tratamento com iodo radioativo. Já o sunitinibe contempla o câncer renal de células claras com metástases e o tumor estromal gastrointestinal (GIST) avançado ou metastático após falha ao tratamento com imatinibe.
Fonte: Ministério da Saúde | Governo Federal
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