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Custo de vida dispara e aumenta endividamento de brasileiros

Sete em cada dez brasileiros perceberam aumento no custo de vida e no nível de endividamento, de acordo com a mais recente pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (8). Do total, 30% dos entrevistados afirmam que o custo de viver no Brasil subiu muito, enquanto 40% dizem ter notado alta, porém de forma moderada.

Ao comparar com um ano atrás, 21% consideram que o custo de vida permanece praticamente estável, e apenas 5,2% avaliam que houve redução. Em relação ao endividamento das famílias, 40% afirmam que as dívidas cresceram, enquanto 42% dizem que a situação se manteve no mesmo patamar.

A pesquisa também questionou os eleitores sobre o peso do custo de vida e do endividamento na decisão de voto para as eleições de 2026. Em resposta, 38% disseram que esses fatores terão grande importância, enquanto 36,6% consideram que influenciarão, mas com menor relevância em comparação a outros temas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra preocupação com o avanço do endividamento das famílias. Integrantes do governo avaliam que os efeitos da guerra do Irã sobre os preços têm afetado o poder de compra da população e prejudicado a percepção sobre a gestão federal, exigindo medidas rápidas para conter a inflação e reduzir as dívidas.

Na terça-feira (7), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo analisa a possibilidade de liberar o saque de parte do FGTS para que trabalhadores quitem dívidas. A proposta integra um pacote de crédito que busca reduzir o endividamento das famílias e estimular a renegociação de débitos.

Durigan não detalhou todas as medidas discutidas com o presidente, mas afirmou que o governo também estuda mecanismos para conter o endividamento futuro, incluindo ações para limitar gastos com apostas esportivas.

Em 26 de março, Lula declarou que o aumento das dívidas das famílias representa um problema que acaba ofuscando o crescimento econômico do país. Por isso, ele solicitou ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central a elaboração de propostas, incluindo alternativas para reduzir os juros do cartão de crédito.

Entre as medidas em análise, o governo avalia consolidar as dívidas em um único contrato, substituindo os débitos atuais por uma nova obrigação com juros menores e possíveis descontos. A proposta prevê que a renegociação ocorra diretamente com instituições financeiras, com garantia do Fundo de Garantia de Operações.

A pesquisa Meio/Ideia entrevistou 1.500 pessoas entre os dias 3 e 7 de abril. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral.

Gabrielle Nogueira

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