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Deputado Eduardo Suplicy revela diagnóstico de Parkinson e uso de Cannabis Medicinal em tratamento

O deputado estadual de São Paulo, Eduardo Suplicy (PT), surpreendeu o público ao revelar que foi diagnosticado com a doença de Parkinson. Em uma audiência pública na Câmara para discutir a regulamentação da cannabis medicinal, o político de 82 anos compartilhou sua jornada desde o diagnóstico até o tratamento que vem seguindo.

A descoberta da doença ocorreu no final do ano passado, quando Suplicy apresentou sintomas leves, como tremor nas mãos e dores musculares na perna esquerda. Desde fevereiro deste ano, ele incorporou a cannabis medicinal em seu tratamento, ao lado da medicação convencional prescrita pelos médicos.

A cannabis medicinal é uma alternativa terapêutica que utiliza canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC), substâncias encontradas na planta de cannabis. O THC, conhecido por seu efeito psicoativo, é utilizado em quantidades controladas de acordo com as diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece um teor máximo de 0,2%.

Segundo a neurologista Luana Oliveira, do Hospital Sírio-Libanês, a cannabis medicinal é frequentemente usada como um complemento à terapia tradicional para tratar sintomas não motores do Parkinson, como dor, insônia, ansiedade e depressão. A interação dos canabinoides com o sistema endocanabinoide humano proporciona alívio desses sintomas.

Eduardo Suplicy também destacou seu envolvimento em um estudo de caso liderado pelo professor Francisney Nascimento, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), que avalia os benefícios das substâncias derivadas da cannabis no tratamento da doença de Parkinson.

Além de seu próprio tratamento, o deputado defendeu a expansão das leis para a produção nacional e facilitação da comercialização da planta de cannabis para fins medicinais. Ele enfatizou que o acesso à cannabis é um direito humano e instou a rápida aprovação de leis nesse sentido.

Evidências científicas também apoiam o uso da cannabis medicinal no tratamento do Parkinson. Um estudo de 2014 conduzido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP demonstrou que o CBD pode melhorar a qualidade de vida e o bem-estar geral em pacientes com a doença. Além disso, uma nota técnica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicada em abril destacou a eficácia dos canabinoides no tratamento de transtornos neuropsiquiátricos, incluindo o Parkinson.

Embora o Parkinson seja uma doença sem cura, Eduardo Suplicy, aos 82 anos, expressou sentir-se “muito bem” e continuou a ser ativo em sua rotina, incluindo sessões regulares de ginástica. Ele enfatizou que a cannabis medicinal não é uma cura, mas proporciona uma melhor qualidade de vida para aqueles que enfrentam a doença.

Romeu Lima

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