Mesmo sem supervisão, caminhada melhora a saúde cardiovascular, aponta pesquisa

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de São Paulo mostrou que hábitos simples, como fazer caminhadas em parques públicos, podem trazer mais saúde e bem-estar às pessoas. O projeto Exercício e Coração desenvolvido com frequentadores do Parque Fernando Costa, mais conhecido como Parque Estadual da Água Branca, na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo, mostrou que caminhadas orientadas, mesmo quando realizadas sem a supervisão direta de um profissional de educação física, resultaram em aumento da capacidade física e diminuição dos fatores de riscos para doenças cardiovasculares, como a perda de peso, redução da circunferência da cintura e diminuição da pressão arterial.

A pesquisadora explica que a proposta do projeto é orientar e prescrever a prática segura de atividade física para frequentadores de locais públicos, como os parques, onde, em geral, a população se exercita sem a supervisão de profissionais qualificados.

Tendo seu início em 2000, nos últimos dez anos, o projeto avaliou mais de 1.200 pessoas no parque, ministrou mais de 3.900 aulas de alongamento, participou de mais de 130 eventos, treinou mais de 120 monitores e publicou mais de 40 resumos e dez artigos científicos completos relacionados aos seus dados.

Inicialmente, os voluntários da pesquisa (a maioria mulheres com 60 anos ou mais, com excesso de peso e circunferência de cintura elevada) passaram por uma avaliação que consistiu em entrevista sobre o estado de saúde e hábitos de fazer atividade física, além das medidas de aptidão cardiorrespiratória, circunferência da cintura, índice de massa corporal (IMC), pressão arterial, glicemia e colesterol.

Em seguida, receberam instruções individualizadas dos monitores do projeto do quanto e como deveriam caminhar. A ideia era que eles caminhassem três vezes por semana por, pelo menos, 30 minutos em uma intensidade moderada.

Os participantes deveriam caminhar o mais rápido que conseguissem sem ficar ofegantes e sendo capazes de falar uma frase longa sem precisar interrompê-la para respirar. Depois de realizar a atividade, deveriam fazer exercícios de alongamento. As primeiras sessões foram supervisionadas para garantir que a prática estava sendo feita corretamente.

As avaliações pós-intervenção foram feitas entre três e seis meses após o início das atividades. Os principais achados do estudo foram que o programa de intervenção proposto aumentou a aptidão física dos participantes, aumentando a capacidade cardiorrespiratória, que passou de 99 para 110 passos em 2 minutos; reduziu o IMC, de 26,3 para 26,1 kg/m2, diminuiu a circunferência da cintura, de 93,8 para 92,7 cm, e a pressão arterial sistólica (o maior valor verificado durante a medida da pressão arterial e que indica a força de contração do músculo cardíaco) de 126 para 123 mmHg. “Com o declínio desses índices, houve a diminuição do risco cardiovascular global dos participantes”, relatou a pesquisadora. Os níveis de glicose no sangue, a pressão arterial diastólica e os níveis de colesterol total permaneceram inalterados.

Fonte: Jornal da Usp

Alessandra Fonseca

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