Saúde da Mulher

Mulheres em situação de violência têm atendimento especializado e gratuito em Belém

No Estado do Pará, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), houve uma redução de 12,28% nos registros de feminicídio em 2024, quando comparados com o ano de 2023. Os números destacam que dos 144 municípios paraenses, 85 apresentaram queda ou nenhum registro do crime, o que representa 59,02% das cidades paraenses.

Em Belém a Secretaria Municipal da Mulher (SEMU) disponibiliza um espaço de acolhimento, de escuta e de encaminhamento para as mulheres em situação de violência. Segundo a Diretora Geral de Promoção de Cidadania e Direitos da Mulher, Layne Soares, o objetivo da secretaria é assegurar políticas eficientes. Além de oferecer suporte jurídico e social, visa disponibilizar direitos e suporte psicológico que são fundamentais para que a mulher, vítima de violência, tenha um empoderamento feminino e consiga sair desta situação.

“Nós trabalhamos de forma integrada com outras secretarias, com outras redes de apoio para que essa mulher, a partir do momento que ela entre no nosso radar, consiga ser atendida na região, de forma integral, nosso objetivo é fazer com que ela não se sinta sozinha diante de uma situação de vulnerabilidade”, informou Layne Soares.

Uma assistida que se encontrava em situação de violência relatou a sua experiência ao ser atendida pela Secretaria Municipal da Mulher. Ela relata que o maior desafio foi denunciar ou não o agressor. “A maior dificuldade foi o medo constante. A sensação de que poderia estar em perigo a qualquer momento era sufocante. Ficar entre denunciar e correr risco, ou não denunciar e deixar impune foi extremamente angustiante”, relata a vítima assistida pela SEMU.

 “No começo, tudo parecia normal. A rotina estava cheia, focada nos estudos, e eu não percebia o que acontecia. Mas aos poucos, crises de ansiedade retornaram. Chorava por dias, me sentia exausta, a depressão voltou. Ganhei peso, minhas relações mudaram, voltei a ter ataques de pânico. Não tenho vontade de me relacionar com ninguém, porque parece que sempre vai acontecer. Sigo tentando com esforço: indo à academia, estudando, cuidando da casa. Mas não é fácil, principalmente agora, com a depressão retornando”, completou.

Com o suporte da equipe, foi possível identificar as necessidades que ela precisava, com orientações e encaminhamentos adequados, além de orientar a participação de programas de capacitação que visam promover empoderamento e independência financeira.

 Dados do Mapa da Segurança Pública de 205, em 2024 foram totalizados 1.492 casos de feminicídio no Brasil, com 3.870 tentativas no período. 71% das vítimas têm entre 18 e 44 anos, 64% foram mortas na própria residência, e 97% dos agressores são homens. Em 2025, no período de janeiro a julho, dados do Ligue 180 revelam que a maior parte das mulheres vítimas de violência são heterossexuais, com 49.674 denúncias. Dessas, 57,7% são negras, totalizando 38.068 registros (44,3%).

 Diante desses dados alarmantes, a Secretaria Municipal da Mulher (SEMU) desenvolve diversos projetos voltados à proteção e ao apoio dessas mulheres, garantindo políticas públicas eficientes e atendimento integral. Entre eles, está a “Trilha da Mulher Segura”, projeto que identifica e acompanha mulheres em situação de violência, oferecendo suporte psicológico, social, jurídico e de saúde. Ao se cadastrar, a mulher recebe atendimento individualizado, com encaminhamentos conforme suas necessidades. Além disso, muitos casos envolvem dependência financeira, por isso a SEMU oferece também o projeto “Capacita”, que proporciona cursos e capacitação profissional, promovendo empoderamento e autonomia financeira para essas mulheres.

A Secretaria Municipal da Mulher de Belém (SEMU), fica localizada na Avenida Almirante Barroso, com horário de funcionamento das 08 às 17 horas. Em casos de violência contra mulher, ligue 180 ou 190.

 Gabrielle Nogueira | Front Saúde

Gabrielle Nogueira

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