Foto: Divulgação
Estimular o aprendizado e garantir educação a todos são alguns dos objetivos do Programa Sinapse. Ele tem o propósito de promover a inclusão e a acessibilidade no ambiente escolar, ampliando esse conceito para além das barreiras físicas.
Segundo Larissa Rosa, psicóloga, especialista em Educação Especial e Inclusão, doutora em Teoria e Pesquisa do Comportamento e coordenadora técnica do Programa Sinapse, a importância do programa está justamente em sistematizar e estruturar o acompanhamento do aluno e o processo de ensino e aprendizagem.
Para ela, a inclusão não pode ser organizada de forma aleatória ou depender de iniciativas individuais. É necessário estabelecer uma estrutura de tarefas e funções, definindo o papel de cada profissional, de acordo com sua responsabilidade e área de atuação, para garantir a inclusão e a acessibilidade no ambiente escolar.
Nesse sentido, o programa busca criar uma estrutura que evite que os processos de inclusão dependam de determinadas pessoas. A proposta é que essas práticas sejam institucionalizadas e façam parte da organização da própria escola.
Entre as principais demandas identificadas pelo programa estão as dificuldades relacionadas ao processo de aprendizagem de estudantes neurodivergentes ou com deficiência. O acompanhamento busca identificar as barreiras que dificultam o desenvolvimento de habilidades como leitura e matemática e, a partir disso, orientar a adoção de estratégias específicas para reduzir esses obstáculos e ampliar o acesso dos estudantes ao conteúdo ensino em sala de aula.
O Programa Sinapse é desenvolvido em três fases. A primeira é voltada à implantação e ao diagnóstico institucional, com visitas às escolas para conhecer a realidade da educação especial e inclusiva, mapear a região, identificar barreiras à inclusão e as demandas educacionais dos estudantes. Para essa etapa, a equipe é preparada por meio de aprimoramentos em análise do comportamento aplicada à educação, com protocolos de avaliação.
Na segunda etapa, são implementadas estratégias de acompanhamento, definidas de acordo com as necessidades de cada estudante, escola e família. Já a terceira, consiste em monitoramento e avaliação contínua, com reaplicação dos protocolos, análise dos resultados e ajustes nas estratégias para fortalecer as práticas pedagógicas inclusivas.
A psicóloga também reforçou sobre a importância do acompanhamento individualizado para o processo de desenvolvimento acadêmico, cognitivo e socioemocional dos alunos.
“O programa contribui quando existe ali essa demanda. Então por exemplo tem algumas pessoas que tem um ritmo diferente de aprender ou que aprendem melhor quando existem determinadas condições ambientais e a partir do momento em que essas primeiras conexões são estabelecidas, eu consigo avançar mais rápido, eu consigo adquirir novos repertórios, novas aprendizagens, e a partir daí novas conexões são facilitadas, são viabilizadas quando eu passo por um momento em que algumas condições ambientais instrumentais são controladas, são organizadas e para isso eu preciso ter esse olhar mais individualizado pelo aluno.”
Nesse processo, o trabalho dos professores e demais profissionais da educação também é fundamental, já que eles estão na linha de frente da inclusão e da acessibilidade nas escolas. Para que possam atender às diferentes necessidades dos estudantes, esses profissionais precisam ter formação e repertório técnico para aplicar estratégias que favoreçam a aprendizagem, a acessibilidade e a equidade de oportunidades. Por isso, Larissa destaca a importância da educação permanente e continuada, com momentos de formação e troca que permitam consolidar novas práticas pedagógicas e tornar o ensino cada vez mais inclusivo, efetivo e acolhedor.
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