Relatos de fé que inspiram: promessa de cinco anos marca a trajetória de fisioterapeuta no Círio de Nazaré - Front Comunicação Estratégica

Relatos de fé que inspiram: promessa de cinco anos marca a trajetória de fisioterapeuta no Círio de Nazaré

Arquivo pessaal

Gladson Aires da Silva encontrou na devoção a Nossa Senhora de Nazaré forças para concluir a faculdade de Fisioterapia e buscar sabedoria para cuidar de seus pacientes.

A fé que nasce em um momento de dificuldade pode se transformar em força para seguir em frente. Foi assim com Gladson Aires da Silva, de 37 anos, fisioterapeuta que, durante cinco anos, acompanhou a procissão do Círio de Nazaré, em Belém, cumpriu uma promessa feita à Nossa Senhora de Nazaré. O compromisso surgiu em 2018, quando enfrentava dificuldades financeiras para concluir a graduação em Fisioterapia, curso cuja duração de cinco anos se tornou também o período de sua promessa.

A história começou em uma quarta-feira, dentro da Basílica Santuário de Nazaré. Em meio às incertezas sobre o futuro acadêmico, Gladson encontrou na oração um caminho para renovar as esperanças. Ele conta que uma professora tentou convencê-lo a continuar na faculdade, mas foi durante um momento de oração que sua devoção ganhou um novo significado.

“Eu me vi em uma quarta-feira, 11 horas, dentro da Basílica, rezando, chorando, e foi o momento que uma senhora passou de joelhos no corredor central. Então, eu tive lembrança da minha mãe rezando, e sempre minha mãe rezou muito de joelhos”, recorda.

A lembrança da mãe, marcada pela fé e pelas orações feitas de joelhos, despertou em Gladson o desejo de se apegar ainda mais à padroeira dos paraenses. Naquele momento, fez uma promessa: se conseguisse concluir a faculdade, caminharia de joelhos durante a procissão do Círio por cinco anos.

O que começou como um pedido de intercessão tornou-se um compromisso que acompanhou sua trajetória acadêmica e pessoal. Ao concluir a graduação, Gladson passou a enxergar o cumprimento da promessa como uma forma de agradecer pela conquista alcançada.

“Ela fez a parte dela, ela intercedeu por mim, e, no meu momento de retribuir, eu retribuí, e eu consegui”, afirma.

Fé que acompanha o cuidado com o outro

Arquivon pessoal

A conclusão da faculdade representou uma conquista importante, mas um novo desafio surgiu quando Gladson começou a trabalhar na Neurohability — Clínica Interdisciplinar de Desenvolvimento Infantil. Diante da necessidade de se reinventar e aprofundar os conhecimentos profissionais, ele voltou a recorrer à fé, desta vez pedindo sabedoria para lidar com os pacientes neurofuncionais.

O pedido, segundo ele, não estava relacionado apenas ao crescimento profissional, mas também à responsabilidade de acolher pessoas que chegam à clínica fragilizadas por suas condições e diagnósticos.

“Eu precisei me reinventar, eu precisei estudar. Então, essa porta se abriu para mim e eu resolvi agarrar, e, mais uma vez, eu pedi que Nossa Senhora de Nazaré me desse novos conhecimentos e me iluminasse para eu conseguir trabalhar com pacientes neurofuncionais”, relata.

Para Gladson, a espiritualidade tem um papel importante na forma como exerce a profissão, sem substituir o conhecimento científico necessário à prática da Fisioterapia. Ele acredita que a fé contribui para fortalecer sua atuação e ampliar sua disposição para acolher os pacientes.

“Eu acredito que a fé não substitui a ciência, mas ela me dá uma assistência maior para eu poder trabalhar”, explica.

Na rotina profissional, ele encontra pessoas que, diante de determinados diagnósticos e dificuldades, podem chegar à clínica com a esperança enfraquecida. É nesse cenário que procura unir conhecimento técnico, dedicação e sensibilidade, reconhecendo na fé um apoio para enfrentar os desafios do cuidado.

Um manto de agradecimento e memória

Arquivo pessoal

Ao longo dos cinco anos de promessa, a caminhada também exigiu força física e emocional. Gladson conta que, em 2023 e 2024, não conseguiu se dedicar à promessa como gostaria e sentiu a necessidade de encontrar um apoio que o ajudasse a seguir até o fim.

A ideia foi reunir nomes de familiares, amigos e pacientes, além de fotografias de pessoas importantes em sua vida, para compor um manto que seria entregue a Nossa Senhora de Nazaré. Mais do que um objeto de devoção, o manto se tornou uma representação dos vínculos afetivos que o acompanharam durante a caminhada.

“Eu tive a ideia de recolher nomes de familiares, amigos, pacientes e, principalmente, fotos das pessoas importantes para mim. A promessa foi entregar este manto a Nossa Senhora de Nazaré, até porque eu sei que, a partir do momento que eu precisasse, quando eu olhasse para aquelas fotos, eu ia conseguir me fortalecer”, conta.

Cada fotografia carregava uma lembrança e uma presença simbólica. Durante a procissão, olhar para aquelas imagens significava recordar que não estava sozinho. A força que buscava na devoção também vinha das pessoas que faziam parte de sua história.

Ao concluir a promessa, Gladson entregou o manto na Basílica, aos pés da imagem de Nossa Senhora de Nazaré. O gesto, segundo ele, foi também uma forma de pedir que a intercessão recebida ao longo dos anos se estendesse a todos que estavam representados naquele tecido.

“Eu entreguei este manto na Basílica, entreguei nos pés de Nossa Senhora, para que ela intercedesse por todas as pessoas que estavam naquele manto, porque, se eu consegui ano passado e naquele ano, foi porque muitas daquelas pessoas me transmitiram força”, relata.

Durante a caminhada, ele se abaixava e seguia junto à imagem, mantendo o compromisso que havia assumido. O esforço de cada passo era acompanhado pela lembrança das pessoas queridas e pela vontade de concluir a promessa.

Entre o medo e a gratidão

Arquivo pessoal

Mesmo depois de anos de devoção, o cumprimento da promessa não deixou de trazer desafios. Gladson confessa que, neste ano, sentiu mais medo durante a caminhada, pois foi sem o papelão, que auxilia e protege os joelhos dos romeiros durante a procissão. Ainda assim, percebeu que os pensamentos de desistência foram menos frequentes e que a gratidão se tornou mais presente ao longo do percurso.

“Este ano, eu confesso que foi o ano que eu mais tive medo, mas, como eu falo, a fé me dá o suporte, Nossa Senhora que me conduz. Neste ano, eu tive menos pensamentos de pensar em desistir. A todo momento, eu estava muito grato”, afirma.

A experiência de Gladson revela uma relação com a fé que vai além do cumprimento de uma promessa. Ela está ligada à memória familiar, à superação das dificuldades durante a formação acadêmica e à busca constante por sabedoria para exercer a profissão.

Ao recordar os cinco anos de caminhada, o fisioterapeuta reconhece que a conquista da graduação e os aprendizados da vida profissional caminham lado a lado com sua devoção. A promessa, iniciada em um momento de incerteza, transformou-se em um percurso de agradecimento, fortalecido pela presença simbólica de familiares, amigos e pacientes.

“Ela faz a parte dela, ela intercedeu por mim, então aquele era o meu momento de retribuir, e eu consegui”, relata Gladson.

Assim, entre orações, joelhos no chão e fotografias reunidas em um manto, sua história se soma aos relatos de fé que marcam o Círio de Nazaré. Uma trajetória em que a devoção se tornou fonte de força para superar obstáculos, reconhecer o apoio recebido e continuar buscando conhecimento e sensibilidade para cuidar do próximo.