Pessoa pode estar sentindo pânico Imagem criada por inteligência artificial
Um estudo recente do Instituto Salk revela uma esperança revolucionária no tratamento da síndrome do pânico, transtorno que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
A síndrome do pânico é um distúrbio caracterizado por ataques de ansiedade intensa, desencadeando sintomas como taquicardia, falta de ar e medo extremo. Nos EUA, estima-se que 4,7% dos adultos enfrentarão esse transtorno em algum momento de suas vidas.
Cientistas do Instituto Salk, nos Estados Unidos, identificaram uma via cerebral inédita relacionada aos sintomas da síndrome do pânico. O estudo, publicado na Nature Neuroscience, destaca a importância dessa descoberta para o desenvolvimento de novos tratamentos.
Contrariando a crença anterior de que a amígdala era a principal responsável pelos ataques de pânico, o estudo revela a existência de um circuito cerebral específico fora da amígdala. Neurônios especializados nesse circuito enviam e recebem um neuropeptídeo chamado PACAP, desempenhando um papel crucial nos ataques de pânico.
Os pesquisadores observaram que tanto o neuropeptídeo quanto os neurônios podem ser alvos promissores para o desenvolvimento de medicamentos. Em experimentos com modelos animais, a inibição desse circuito resultou em uma redução dos sinais da síndrome do pânico.
Para desvendar o novo circuito cerebral, os cientistas examinaram o núcleo parabraquial lateral, conhecido como centro de alarme do cérebro. Essa área controla funções vitais como respiração e frequência cardíaca. A produção do neuropeptídeo PACAP nessa região foi identificada como a chave para desencadear os sintomas.
Ao induzir ataques de pânico em camundongos, os pesquisadores confirmaram que os neurônios que expressam PACAP foram ativados, enviando esses sinais para outra parte do cérebro, o rafe dorsal. Lá, os neuropeptídeos interagiram com receptores, desencadeando os sintomas observados nos animais.
Essa descoberta representa um avanço significativo na compreensão da síndrome do pânico, abrindo portas para futuros tratamentos mais eficazes. A equipe do Instituto Salk agora busca mapear completamente as regiões, neurônios e conexões cerebrais envolvidas nesse complexo transtorno.
Fonte: O Globo
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