Linha de Frente

Vacina BCG completa 100 anos

Foi em 1921, quando uma mãe que apresentava tuberculose teve o seu recém-nascido vacinado. No Brasil, a vacina começou a ser usada em 1927. A partir de 1976, o Ministério da Saúde tornou obrigatória a administração da BCG.

É recomendada sua aplicação em crianças entre 0 e 4 anos 11 meses e 29 dias, o mais precocemente possível, de preferência na maternidade, ao nascer, podendo também ser aplicada até os 5 anos de idade. Aplicada em dose única por via intradérmica, a vacinação não requer qualquer cuidado prévio. “A vacina BCG é de suma importancia para a prevenção da tuberculose em crianças com até 5 anos de idade. Na primeira visita no postinho o bebê já pode ser imunizado. É contra-indicada apenas para prematuros”, explica a pediatra Nilza Seabra.

Composta pelo bacilo de Calmette-Guérin, que deu origem a nome BCG, a vacina que previne as formas mais graves de tuberculose como a meningite tuberculosa e tuberculose miliar, também é indicada quando pessoas de qualquer idade convivem com portadores de hanseníase (lepra). “


Na maioria das vezes, haverá uma reação no local da aplicação com posterior formação de cicatriz. A cicatriz que quase todos temos no braço. É importante não colocar produtos, medicamentos ou curativos, pois trata-se de uma resposta esperada e normal à vacina. Até algum tempo atrás, crianças que não desenvolveram cicatriz eram revacinadas, mas essa recomendação deixou de ser feita pelo Ministério da Saúde, em fevereiro de 2019.

Segundo o Boletim Epidemiológico de Vigilância em Saúde de 2020, o Brasil registrou 66.819 novos casos de tuberculose no período da pandemia.


De acordo com a OMS, nos países onde a BCG integra o calendário vacinal infantil, há uma redução anual significativa da incidência dos casos de meningite tuberculosa. Mas o impacto positivo dessa vacina depende diretamente do alto índice de cobertura vacinal.

Uma análise inédita do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), com base em dados do Ministério da Saúde atualizados até o dia 4 de abril deste ano, mostra que menos da metade dos municípios brasileiros atingiu a meta estabelecida pelo PNI (Plano Nacional de Imunizações) para nove vacinas, entre elas as que protegem contra hepatites, poliomielite, tuberculose e sarampo.
Com exceção da pentavalente (contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e a bactéria Haemophilus influenzae tipo B), todas as demais apresentaram quedas preocupantes de cobertura.

Os dados ainda podem mudar porque há atraso das notificações de alguns municípios.
As vacinas BCG (contra tuberculose) e tríplice viral primeira dose (contra sarampo, caxumba e rubéola) sofreram reduções de cerca de 14 e 15 pontos percentuais, respectivamente em 2020.

Um dos retrocessos já vividos pelo país foi o retorno do sarampo, que tinha sido erradicado e voltou a circular em 2018 após uma queda na cobertura da vacina tríplice viral. Em 2020, houve surtos em 21 estados brasileiros, com o Pará respondendo por mais de 60% dos casos.

Contraindicação:
Pessoas imunodeprimidas e recém-nascidos de mães que usaram medicamentos que possam causar imunodepressão do feto durante a gestação.
Prematuros, até que atinjam 2 kg de peso.

Efeitos e eventos adversos:
A BCG quase sempre deixa uma cicatriz característica, com até 1 cm de diâmetro, no local em que foi aplicada – como rotina, no braço direito. Essa reação é esperada! A resposta à vacina demora cerca de três meses (12 semanas), podendo se prolongar por até seis meses (24 semanas), e começa com uma mancha vermelha elevada no local da aplicação, evolui para pequena úlcera, que produz secreção até que vai cicatrizando.
Eventos adversos possíveis: úlceras com mais de 1 cm ou que demoram muito a cicatrizar; gânglios ou abscessos na pele e nas axilas; disseminação do bacilo da vacina pelo corpo, causando lesões em diferentes órgãos.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), os gânglios surgem em cerca de 10% dos vacinados.
Qualquer que seja o evento, o serviço de vacinação deve notificá-lo ao órgão de vigilância em Saúde e encaminhar o paciente ao posto de saúde para acompanhamento e tratamento adequados.

Onde pode ser encontrada:
Nas Unidades Básicas de Saúde e nos serviços privados de vacinação.

Resultados da prevenção no Brasil e no mundo:

A vacina BCG não oferece eficácia de 100% na prevenção da tuberculose pulmonar, mas sua aplicação em massa permite a prevenção de formas graves da doença, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar (forma disseminada).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, nos países onde a tuberculose é frequente e a vacina integra o programa de vacinação infantil, previna-se mais de 40 mil casos anuais de meningite tuberculosa. Impacto como este depende de alta cobertura vacinal, razão pela qual é tão importante que toda criança receba a vacina BCG.

Michelly Murchio

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