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Farmacêutico dá dicas sobre o uso da Melatonina

A Melatonina é um hormônio essencial para a regulação do sono, produzido naturalmente pelo corpo. Porém, fatores como o estresse, a idade e a exposição excessiva à luz artificial podem comprometer sua produção, levando muitas pessoas a recorrerem à suplementação. Conforme pesquisa do Instituto do Sono realizada em 2020 em 24 estados brasileiros, 55% das pessoas alegaram piora do sono durante o isolamento social. Os principais motivos apontados foram preocupação frequente com a pandemia e maior tempo de exposição às telas de TV, celular e computador. 

Mas será que qualquer pessoa que sente dificuldades para dormir pode tomar o suplemento para o sono? Para entender melhor os benefícios e restrições, conversamos com o farmacêutico André Eluan.

De acordo com ele, a melatonina natural é produzida pela glândula pineal, localizada no cérebro. Essa produção é estimulada pela ausência de luz, principalmente a luz azul, e inibida pela presença de luz. A melatonina, junto com o cortisol, regula o ciclo circadiano, que é o ciclo do sono-vigília. 

“À medida que vamos envelhecendo, nossa capacidade de produção de melatonina vai diminuindo, além disso, nosso estilo de vida moderno, com uso excessivo de telas e estímulos luminosos constantes, tem ampliado a dificuldade de produção de melatonina e todas essas questões têm impactado na nossa quantidade e qualidade do sono”, complementa Eluan.

Melatonina como suplemento

Devido às dificuldades para dormir ou horários diferentes de trabalho muitos adquirem o suplemento da Melatonina para o dia a dia, contudo ele tem algumas indicações específicas. O farmacêutico afirma que o uso da Melatonina é especialmente indicada para pessoas que enfrentam dificuldades para dormir, como aquelas com insônia, trabalhadores que fazem turnos alternados e viajantes que sofrem com a síndrome da mudança de fuso horário conhecido como jet lag. Além de induzir o sono, a substância tem outras funções importantes. “Ela também atua como antioxidante, fortalece o sistema imunológico e pode até contribuir para a saúde ocular”, explica Eluan.

Efeitos Colaterais da Melatonina

Segundo o farmacêutico, os reguladores de ritmo circadiano podem causar alguns efeitos colaterais, especialmente em doses mais altas, como sonolência excessiva, tontura, pesadelos ou sonhos vívidos. Em crianças podem gerar perda de urina involuntária durante o sono, sonolência excessiva e tontura.

A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa),determina que o uso do hormônio é destinado para pessoas com idade igual ou superior a 19 anos, a dose diária máxima é de 0,21 mg. O suplemento também tem contraindicações para grávidas, lactantes, crianças e pessoas que praticam atividades que demandam atenção constante.

A Melatonina pode ser ingerida de diversas formas como em gotas, pastilhas, cápsulas, cápsulas de liberação prolongada. Todas essas formas farmacêuticas podem ser utilizadas pelo médico prescritor para adequar o uso do produto às necessidades que foram diagnosticadas no paciente. Normalmente o uso da melatonina se dá à noite, justamente para simular a sua ocorrência natural.

 André Eluan ressalta que o uso da Melatonina, sob orientação e acompanhamento médico, não induz a dependência, entretanto, para pessoas maiores de 60 anos, em que os níveis endógenos já estão mais baixos, a tendência é que o corpo não seja capaz de retomar a produção nos níveis da juventude e o uso contínuo pode ser a consequência natural.

A Melatonina como suplemento alimentar foi liberada para ser vendida no Brasil, em outubro de 2021 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Gabrielle Nogueira

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